Estudo Biopsicossocial em OncologiaResultados · Pesquisa brasileira em psico-oncologia
Base de 06/out/2026 · n = 379
CAAE 94107525.5.0000.0332
Resultados parciais · Análise de redes OncoBPS

Mais de 70 mil respostas sobre o que é viver com câncer no Brasil

Sintomas físicos, saúde mental, condições de vida, vínculos e história pessoal medidos na mesma entrevista e analisados como uma rede. Cada aba aprofunda uma parte do retrato. A aba de saúde mental reúne o que os dados mostram sobre sofrimento emocional na trajetória oncológica.

Apresentação

Estudo multicêntrico com métodos mistos e análise avançada de dados em pacientes oncológicos

Pesquisa brasileira que busca compreender, de forma integrada, como fatores clínicos, emocionais, sociais, econômicos e territoriais se combinam na experiência de quem vive com câncer.

O problema

O câncer é uma condição de elevada complexidade cuja trajetória ultrapassa os processos biológicos do tumor. O diagnóstico altera a vida cotidiana, as relações familiares, o trabalho, a organização financeira e a forma como a pessoa compreende a própria existência. Essas mudanças ocorrem de modo desigual, porque dependem de características clínicas, psicológicas, sociais, econômicas, culturais e territoriais.

Por isso o estudo adota a perspectiva biopsicossocial: sintomas físicos, recursos emocionais, relações sociais, condições materiais de vida e organização da rede de atenção são examinados em conjunto. O sofrimento psíquico é tratado como dimensão recorrente do adoecimento, presente desde a investigação diagnóstica.

A lacuna

A literatura sobre esses determinantes é consistente, mas fragmentada: os estudos costumam se concentrar em um único tipo de câncer, faixa etária, momento do tratamento ou determinante isolado. Faltam, no Brasil, investigações que reúnam essas dimensões em uma mesma base de dados de pacientes oncológicos.

Sem uma base integrada, é difícil identificar quais pacientes têm maior probabilidade de sofrimento psicológico, baixa qualidade de vida, risco nutricional, dificuldades financeiras ou barreiras de acesso. Esses determinantes se relacionam entre si por mediação, moderação e interações não lineares, o que justifica o uso de métodos multivariados e de análise de redes.

Objetivo geral

Analisar os determinantes biopsicossociais associados à saúde mental, à qualidade de vida e às necessidades de cuidado de pacientes oncológicos, mediante a constituição de uma base multidimensional de dados e a aplicação de métodos estatísticos multivariados e técnicas de ciência de dados, com a finalidade de identificar perfis de vulnerabilidade e proteção e subsidiar estratégias de atenção integral em oncologia.

Objetivos específicos

O que a pesquisa busca responder

Caracterizar o perfil dos pacientes

Perfil sociodemográfico, econômico, territorial, clínico, comportamental e assistencial dos participantes.

Avaliar sintomas e qualidade de vida

Ocorrência e intensidade de distresse, ansiedade, depressão, alterações do sono, fadiga, dor, limitações funcionais e comprometimento da qualidade de vida.

Investigar condições socioeconômicas

Associação entre renda, trabalho, toxicidade financeira, insegurança alimentar, escolaridade, transporte, distância e acesso aos serviços e os desfechos biopsicossociais.

Analisar o apoio social

Influência do apoio social, das relações familiares, dos cuidadores, da solidão, do isolamento e do estigma sobre a saúde mental e a qualidade de vida.

Examinar recursos de proteção

Papel da resiliência, da autoeficácia, do enfrentamento, da esperança, da espiritualidade e da percepção de controle como fatores de proteção ou vulnerabilidade.

Relacionar comportamentos de saúde

Relações entre atividade física, sedentarismo, alimentação, risco nutricional, sono, tabagismo, álcool e adesão e os desfechos físicos e psicológicos.

Identificar padrões e agrupamentos

Técnicas multivariadas, análise de redes e aprendizagem de máquina para reconhecer padrões, agrupar pacientes e mapear perfis de maior risco e necessidades não atendidas.

Propor um modelo de estratificação

Modelo de estratificação biopsicossocial que apoie o rastreamento de vulnerabilidades, os fluxos de encaminhamento e o planejamento de intervenções multiprofissionais.

Coordenação

Equipe de coordenação da pesquisa

Prof. Luciano Ferreira Rodrigues Filho

Núcleo de Práticas e Pesquisas em Psicologia Sócio-Histórica

Pesquisador responsável pelo protocolo e coordenador do Núcleo de Práticas e Pesquisas em Psicologia Sócio-Histórica.

Prof. Eduardo Toshio Kobori

Núcleo de Clinica psicanalitica: modos de atenção e cuidado em contexto hospitalar

Coordenação na área de psicologia da saúde, com foco nos determinantes psicológicos do adoecimento oncológico.

Larissa Rosan Micheletti

Estatística Aplicada à Psicologia

Coordenação do planejamento amostral e das análises estatísticas.

Cooperação institucional

Instituições participantes

Centro Universitário de Ourinhos (UNIFIO)

Formação dos estudantes pesquisadores, aplicação dos instrumentos, controle de qualidade da coleta e organização do banco de dados.

Centro de Ensino "Enfª. Eliska Sedlák"

Participação na formação em saúde, na aplicação padronizada dos questionários e no cuidado com a qualidade dos dados.

CEPP · Curso de Psicologia da UNIFIO

Apoio à construção dos instrumentos de saúde mental, à capacitação dos estudantes em acolhimento e à supervisão da escuta durante a coleta.

Rede de Combate ao Câncer de Ourinhos (RECCO) e Amigas do Peito

Aproximação com pacientes e familiares, divulgação da pesquisa na comunidade e leitura das necessidades de quem enfrenta o tratamento.

REDSACSIC

Red Internacional en Salud Colectiva y Salud Intercultural: cooperação científica na discussão metodológica e na leitura intercultural dos achados.

Aprovação ética

Comitê de Ética em Pesquisa · CAAE 94107525.5.0000.0332 e 78783724.0.0000.0332.

Este painel

Como os resultados estão organizados

Resultados parciais da base de 06/10/2026, com 379 pacientes incluídos, 98% do tamanho amostral calculado (385). As análises são descritivas e exploratórias: mostram associações, não relações de causa.